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segunda-feira, 15 de outubro de 2007

PEÇAS EM MARFIM ? NÃO, OBRIGADO !


Tráfico de marfim resiste à proibição, denunciam ONGs
As organizações não-governamentais WWF e Traffic denunciaram que continua havendo abertamente o comércio internacional ilegal de marfim na África, oito meses depois de vários países africanos anunciarem um plano de ação para acabar com tráfico em nível nacional. O WWF e o Traffic esperam que os membros da Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestre (Cites) adotem um plano que reforce a conservação do elefante africano, tal como decidiram em sua reunião de Bangcoc em outubro de 2004. Os talhadores de marfim africanos recorrem anualmente a entre 4 mil e 12 mil elefantes, em sua maior parte procedentes do comércio ilegal. O WWF lembrou o caso do Egito, um dos países que não têm elefantes mas dispõe de um grande mercado de produtos talhados em marfim. Segundo a Traffic, em 1998 o Egito teve um comércio de presas equivalente a 310 a 875 elefantes. "O governo do Egito progride, mas a responsabilidade da Cites é supervisionar o processo", disse Tom Milliken, diretor do programa Traffic na África. Milliken afirmou que, segundo dados egípcios, 80% do marfim que se trabalha nesse país procede do Sudão. A organização pediu à Cites que inclua o Egito na lista de países a investigar e a suspensão de todo comércio de espécies ameaçadas com destino a Moçambique ou de lá procedente, se esse país africano não tomar medidas para controlar seu mercado de marfim. Em relação à Etiópia, a pesquisa da WWF constatou a redução da atividade e disse que só cinco de 82 lojas controladas tinham 82 produtos em marfim à venda. No ano anterior havia cerca de 3.500 produtos. "A Etiópia merece ser destacada por seus esforços, incluindo o cumprimento da lei nas fronteiras e nos mercados", disse Milliken. Fonte: Estado


ANGOLA – Eixo central do tráfico de marfim

Único país com elefantes que não assinou a convenção contra o tráfico, Angola abastece de marfim ilegal a Europa, os Estados Unidos e a China. Face à miséria que ali se vive, este problema não é, de todo, prioritário.
O Café del Mar ostenta a aparência de qualquer outro restaurante caro na Ilha do Cabo (Ilha de Luanda), estância balnear elegante para estrangeiros e angolanos ricos. Tem, no em tanto uma atracção especial: um pequeno mas bem fornecido quiosque de raridades, com filas arrumadas de peças artísticas de marfim, uma lembrança para turistas, actualmente ilegal, mas tradicionalmente muito vendida em África. «É verdade, somos muito populares. Este é o nosso marfim de Angola», afirma o dono da loja.
Apesar de a população de elefantes estar em extinção, Angola emerge como eixo regional no comércio ilegal de marfim. A sua quota no negócio de dentes de marfim duplicou no último ano, segundo um relatório das organizações de defesa da vida selvagem Traffic e WWF Internacional (…)

Este país do Sudoeste africano, rico em petróleo, devastado por quase três décadas de guerra civil, até ao acordo de paz em 2002, foi dado como o país de origem de 53 grandes capturas de marfim em cerca 12 países, entre 1999 e 2003. «Existe um risco real de extinção para os nosso elefantes», diz Vladimir Russo, chefe do grupo ambiental local e um dos maiores especialistas de vida selvagem no país. «O mercado civil do marfim cresceu desde o final da guerra. Há mais trabalhadores chineses com dinheiro para comprar peças de marfim. Mas muitos mais estrangeiros poderão estar a chegar».

Dos 37 países que ainda albergam populações selvagens de elefantes africanos, Angola é o único que não assinou a Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES) (…) em 1981 havia cerca de 12.400 elefantes em Angola (…)
Os rebeldes da UNITA, que combatiam o Governo do MPLA, foram acusados de atacar elefantes e saquear o marfim em longa escala (…) Crê-se que os muitos milhares de dólares assim gerados terão sido usados para comprar armas e mantimentos. DE ACORDO COM A UNIÃO INTERNACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA NATUREZA, ANGOLA NÃO TEM MAIS DO QUE 246 ELEFANTES.

(…) O marfim é vendido às claras no Hotel Trópico, em Luanda que tem um pequeno ponto de venda no primeiro andar, destinado a diplomatas e executivos. É adquirido no Mercado do Artesanato, na vila marítima de Benfica. (…) Os preços variam 35 e 100 dólares (27 a 78 euros) (…) Os traficantes afirmam que a policia não costuma importuná-los.
(…) Este súbito crescimento da venda de marfim pode, a longo prazo, vir a tornar-se negativo para negócio em Angola. À medida que os elefantes vão sendo dizimados, o mesmo acontece com as expectativas de impulsionar as receitas, atraindo turistas interessados em ver elefantes em estado natural.
«Alguns turistas compram marfim, mas sem a nossa vida selvagem como é que podemos desenvolver turismo?». Pergunta Russo. «A longo prazo o problema é como definir as nossas prioridades», conclui.
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REUTERS - Alistair Pole
In: Courrier Internacional Nº 85 - 17 a 23 de Novembro de 2006

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