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quinta-feira, 4 de outubro de 2007

As Mulheres-Parte II

A Bancária


Margarida deve estar na casa dos quarenta anos e ele bem sabe que ela tem três filhos. È sempre entre as 19 e as 19,30 que ela chega na sua break, alinha na direcção da garagem, trava, faz uma pausa, olha discretamente para dentro do café sacudindo o cabelo com tons grisalhos – que ele sabe que são naturais – retira da gaveta junto ao isqueiro do carro o comando da porta automática e entra neste bloco de cimento.
O prédio é quase todo ocupado por jovens casais, quadros médios e superiores, advogados ajudantes de advogados famosos e, na maior parte, médicos à procura de experiência – e dinheiro – fazendo uma espécie de recruta militar nos penosos bancos nocturnos dos hospitais públicos.
O olhar de Margarida é quase sempre melancólico, de quem perdeu o doce paladar da vida, que a fez amadurecer sentada ao balcão de uma dependência bancária dos subúrbios de Lisboa.
Manuel S., jovem gestor numa multinacional, solteiro – ainda vive com os pais –, 28 anos, saudável, boa vida, já cruzou aquele olhar. Já cruzou o zig-zag dos seus quadris, altivos, nas calças de ganga que usa ao fim de semana e que premeiam o seu belo traseiro ainda firme.
Quando a vê é inundado por uma polução mental. Um imaginário prenhe de luxúria que ruma sempre na direcção de mulheres mais maduras, desde executivas a donas de casa, secretárias de qualquer tipo de empresa, eu sei lá! Agora mesmo, enquanto toma café antes de retomar a noitada na empresa, recorda aquela beldade que recebe os trabalhos de tipografia que a empresa manda executar. Aquele olhar turvo de meias palavras, amordaçado, como o belo par de mamas que tem, gritando por alívio entre os enchumaços dos decotes dos vestidos ultrapassados.
Ou mesmo aquela trintona, comercial duma pequena empresa de reciclagem e que reuniu consigo para acordar a recolha dos tinteiros da sua secção. Ama o ambiente e o ecológico mas Manuel só a imagina completamente porca na cama, capaz de conspurcar o corpo por tudo e por nada.
Margarida costuma usar o cabelo apanhado e os brincos são sempre argolas largas. Manuel ainda se masturba quando pensa nela.
Durante muito tempo só a via vestida com o mesmo sobretudo escuro, a meia perna, e uma saia rodada também escura. Chegou a pensar que usava aquela roupa larga para porventura reprimir algum arredondamento desmesurado do seu corpo. Pura ficção.
Em meados de Maio, Manuel voltou a cruzar o olhar com ela. Margarida fazia várias tentativas para abrir a porta de entrada do prédio. O material de segunda também tem as suas vantagens.
- Deixe-me tentar – disse ele.
- Não há paciência para esta porta.
- Depois de marcar o código a pancada tem que ser forte e sêca – replicou.
Sorriu para ele quando a porta se abriu. Os sacos de compras eram muitos e pesados. Manuel prontificou-se a coloca-los no elevador. Naquele dia, as fúteis saias compridas foram substituídas por calças brancas com pequenos motivos vermelhos. Foi possuído por um primitivo arremesso de a apertar contra o espelho do elevador e morder-lhe o pescoço. Trincar-lhe os macios lóbulos das orelhas perfeitas.
Esse fetiche do pescoço é algo que o tortura. Nesse dia vinha sem os miúdos. O peso de um dos sacos fê-la morder um dos lábios. São carnudos, bem desenhados e com um tom que o fez lembrar o vinho do Porto. Manuel detesta vinho do Porto, seja tawny ou vintage. Simplesmente detesta.
Passam-se dias, semanas, em que não se lembra dela, simplesmente não a vê. Outras ocupam aquele espaço, a qualquer hora, nos locais mais insuspeitos, durante a condução, nas reuniões de trabalho.
“Eu sou primitivo, tenho que ir ao psiquiatra, devo ter um desvio, isto não é normal! ”, pensa muitas vezes.
A tarde de Inverno vai caindo, bela, o céu ali pelos lados das praias da linha de Cascais é azul suave, transparente como o frio, e o sol, ténue como a sua vontade de regressar ao escritório, é agora um ligeiro traço no horizonte. Parou por ali o carro e desfrutou. Estava cansado daquela vida descansada. Ele precisa de se surpreender a si mesmo, de vencer as ilusões.
Manuel está decidido. No dia seguinte vai chicotear a prosaica monotonia que tem invadido a sua vida, tristonha e choramingas. Não fossem uns copos com os amigos da margem sul e seria o fim, o embasbacamento.
Faltam dez minutos para a uma hora da tarde quando estaciona na avenida, junto à loja chinesa. Entra no Banco, quase deserto e ausente de burburinho. É o Banco onde trabalha Margarida. Só resta o estagiário do Caixa, a quem pergunta com quem falar para um crédito à habitação, e ela. Ela está lá de certeza, ele consegue pressentir o estalido compassado das suas botas e o swing do seu cabelo para lá duma porta de vidro fosco, colocada antes duma série de biombos. Margarida já regressou da sua hora de almoço e os outros colegas entretanto saíram. Só restam eles e o zeloso estagiário do caixa que entretanto se prepara para abrir conta a um trolha estrangeiro.
Depois de passarem o labirinto de biombos, Margarida ordena-lhe que se sente. Não sabe por onde começar e nota que ela sabe precisamente isso.
- Dá para me fazer uma simulação? - pergunta, tentando colocar a voz.
- Claro. Estamos cá para isso.
Depois de alguns pormenores técnicos roda a cadeira e puxa uma folha que sai ainda quente da impressora laser.
È agora que tudo se precipita. Estão frente a frente e Manuel diz-lhe que não consegue ler técnicamente o documento, aquela maçada dos spreads e dos valores residuais.
Margarida coloca a sua cadeira junto à dele. Agora, lado a lado, ele consegue mergulhar no aroma do seu perfume. Ela vai lendo o documento, linha após linha. Pelo facto de se cumprimentarem no café ela sente uma estranha familiaridade na apresentação dos factos.
- Eu também precisava de mudar de casa... e de vida! – conclui ela .
- Porquê?... Desculpe... não me diz respeito. Parece-me que você tem uma família espectacular – diz-lhe .
Os seus joelhos tocam-se. Manuel fica em estado de choque, com uma ponta de tesão.
- Às vezes as aparências enganam!
Manuel dá-lhe um toque na mão, como que a dizer ”ora, a vida tem altos e baixos”. Margarida não se intimida e aceita a ternura de Manuel inclinando ainda mais o seu tronco. Agora ele sente a sua respiração e regista o rubor intenso nos seus lábios. Ela não encontra lógica na sua conduta mas deixa-se levar por esta luxuriante irracionalidade. Sente-se incomodada. Não tem posição para colocar as mãos. Sem querer, uma das mãos acaba por tocar os adutores do jovem, depois tenta retira-la mas Manuel não o permite. Ela agora sente-o. Forte e altruísta. Lembra-se dos tempos dos namoricos ao som das músicas slow. Faz um ligeiro movimento com a ponta dos dedos.
- Isto é uma loucura- diz, ofegante.
- Vê-se que precisa de carinho... é uma mulher super carente- garante ele.
A mão esquerda de Manuel vagueia pelas suas coxas e encontra finalmente a parte mais fina das suas cuecas. Percorre um pouco mais do seu púbis, trespassa os fortes e sedosos pêlos até penetrar nela dois dedos.
Com a mão direita, desastrada, vai desapertando os botões das calças. Pede ajuda a Margarida que o liberta com suavidade. Acaricia-lhe a glande enquanto Manuel trabalha na sua vagina muito lubrificada.
Ela baixa-se e roça um pouco dos seus lábios no seu pénis. Manuel solta um gemido. O caixa desvia o olhar na direcção dos biombos enquanto o trolha aproveita para assinar alguma papelada.
As cuecas de Margarida estão presas nas botas e Manuel está refém da sua boca que vai engolindo o seu mastro em movimentos pendulares. Por vezes ela solta um grito de dor conforme o ímpeto dele agride as suas entranhas com mais vigor.
O ritual perdura até Manuel sentir que está no limite. No chão, coloca-se por detrás dela. Explora com as mãos o seu rabo. È belo. Penetra-a com duas estocadas antes de se vir. O seu grito é intenso e arrogante. Não se recorda de mais nada e por isso levanta-se de imediato. O caixa também se levanta. Bate com uma série de folhas na secretária.
- Não acredito numa simulação destas! Vocês não sabem trabalhar!
O lapso de tempo serve para se ajeitar. Dá um beijo a Margarida, um beijo de puto apaixonado. Atravessa o balcão a passo lento, triunfante.
- Vocês assim não vão longe, diz para o caixa.
Margarida rompe dos biombos e encolhe os ombros.- Já viu o que temos que aturar?! Prepare-se... isto não é nada fácil.

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