CUIDE-SE... ESTE BLOGUE TEM BOLINHA VERMELHA EM TODA A SUA EXTENSÃO ...
Posologia : A qualquer hora,várias vezes ao dia ; Contra-Indicações: Pessoas com mais de 70 anos, bombeiros na pré-reforma ou caixas do Pingo Doce
sábado, 16 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Interrupção de Serviço
eu sei que escrevo este blogue para meia duzia de penetras que, quando não têm rigorosamente mais nada que fazer, vêm aqui para se deleitarem nas minhas obsessões! Eu sei, escusam de disfarçar.
Contudo, porém, como dizia alguém, o autor e "dono" deste blogue vai ausentar-se por uns tempos.
É que os tempos são dificies para os lados do Restelo e pediram a minha colaboração no blogue Belém Livre.
O regresso será breve e poderoso !
Beijos e abraços.
JM
sábado, 10 de novembro de 2007
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
A Médica (de Familia)
Manuel S. é sazonalmente hipocondríaco. Persegue a tese de que é alérgico ao tempo frio e que este desencadeia reacções atípicas na sua personalidade e até na sua postura.
Muda qualquer canal de TV que conte uma história com doenças, não lê os suplementos de saúde dos jornais, rasga qualquer folheto de farmácia que lhe coloquem na caixa de correio e só faz exames médicos por obrigação profissional.
Nunca foi nem será operado mesmo que tenha que sangrar como um porco com dia marcado. Recorda com grande nojo aquele filme que viu quando tinha os seus catorze anos onde a peste negra dizima uma aldeia de campónios. A peste negra já foi dada como extinta mas detesta ver manchas na pele mesmo que sejam de simples queimaduras solares. Por isso tem reservado um gavetão só para cremes e protectores.
Quando entrou para esta empresa, ainda como estagiário, Manuel teve que fazer os habituais exames médicos. Nesse dia as pernas tremiam e a voz engasgava. Às 10 horas já estava sentado numa velha sala, onde o estuque vai caindo lentamente, cheia de revistas e plantas artificiais. Estava apavorado, com as pernas cruzadas e as mãos encaixadas e banhadas de suor. Que raio, pensou, então aqueles tipos não viram logo que sou gajo saudável.
Senta-se precisamente na mesma cadeira depois das análises ao sangue e urina. Faltam as outras. Lá fora está cada vez mais encoberto e há prenúncio de chuvada forte lá mais para o fim da tarde.
Eis então que ela surge. Ela é com certeza médica, deve ter pouco mais que quarenta anos, o cabelo é muito preto, bem tratado e pelos ombros.
Acima dos gigantescos olhos verdes, usa os óculos da conhecida marca dourada como travessão. A bata é curta e muito justa na cintura afagando o esplendoroso e inquietante traseiro. Por baixo da bata usa uma fina camisola de meia gola, beije, e uma saia preta. Os dedos são belos e salpicados por várias peças de ouro. O seu olhar é adulto mas transparente. Manuel S. tenta, em vão, decifrar o nome no crachat.
Ela é menina de berço, casada com um advogado de sucesso, os pais andam de Jaguar e os filhos usam aquelas fardas idiotas dos colégios com nome de São qualquer coisa. Em casa tem uma rapariga de aldeia que usa bata e socas ortopédicas que para além de tratar da casa também atura as birras dos putos e dos avós. Talvez não, pensa ele, talvez não passe de uma mulher normal que valoriza a imagem, o marido também é médico, mas num centro de saúde dos arredores, os pais fizeram um esforço imenso para ela tirar o curso e só andam de transportes públicos. Não tem filhos por opção, porque a profissão é para ela a coisa mais importante e além disso só fode uma vez por semana porque chega cansada do banco do hospital.
Com o raio-x e o electrocardiograma avança então para a consulta. Para azar seu é visto por um barbudo com ar distante.
- Está tudo bem! Há aqui umas oscilações no seu electrocardiograma mas são pequenas arritmias sem importância.
- Antes isso. Quando vou ao médico tenho sempre arritmias... mas o dentista é pior! – exclama .
Já de saída, decide perguntar o nome da tal médica. Marca uma consulta para a próxima semana e decide vai passar a ser a sua médica, a sua médica de família. Depois logo vê que doença arranja para pretexto e validade da sua arrojada aleivosia.
Manuel tem que arquitectar uma maleita que a obrigue a obrigá-lo a despir da cabeça aos pés. Nesse dia ele vai querer estar subjugável. Vai estar prostrado, com uma sensação de mal-estar geral, um formigueiro intenso da ponta dos pés á raiz dos cabelos. E tem falta de apetite, excepto o sexual.
- Já está marcada senhor doutor, fica para a próxima quinta-feira ás dezanove horas – confirma a recepcionista.
- A doutora Marta tem acordo com algum seguro de saúde?
- Só com o Exército e a Policia.
Manuel imaginou-se magala, a queixar-se de uma dor nas costas por causa do peso da malvada mochila de campanha. A bela da Drª Marta manda-o despir e deitar-se na marquesa de barriga para baixo. Aplica-lhe uma massagem que dura toda a manhã, enquanto uma fila de cabos, sargentos e majores desespera na sala. Quando se ergue a marquesa tem um enorme buraco, esventrado pelo tesão imensa que aquela rendilhada massagem lhe provoca.
Enquanto atravessa o pequeno parque de estacionamento começam a cair os primeiros pingos de chuva. Detesta esta chuva envergonhada. Detesta tudo o que é envergonhado, exíguo, ínfimo e cobarde. Mas não gosta de centros comerciais e não se vê a fazer compras num mercado municipal. Lembra-se sempre daqueles cães minorcas, sem pêlo e com orelhas de Mr.Spock. Um cão tem que ser um cão, um bicho grande, que imponha respeito, um predador de carne que rejeite os bolinhos de fábrica ensacados para serem vendidos nos supermercados. Isso é mariquice para os gatos. Manuel preferia uma ninhada de morcegos na cave que um gato a roçar-se em areia no hall de entrada.
È chegado o grande dia. Enquanto está na empresa vai consultando o relógio e pensando nas várias patologias. Chega meia dúzia de minutos atrasado porque o trânsito para Lisboa está uma merda.
Manuel entra para a consulta, pede desculpa pelo atraso, estica-lhe a mão e senta-se em frente dela na cadeira da esquerda. O gabinete tem uma serigrafia meio abstracta que representa uma mulher grávida, uma pequena planta natural que já deu flor e uma ampulheta de madeira que ela usa como pisa papeis. Ela está tão boa como da primeira vez que a viu. Ele levou consigo o último electrocardiograma e diz-lhe que tem sentido umas palpitações, coisa de empregada doméstica, e ás vezes um certo formigueiro na planta dos pés.
- Fuma? – pergunta-lhe ela .
- Um cigarro num dia de festa...
- Sabe, esse formigueiro... faz desporto?
- Jogava ténis três vezes por semana mas o meu parceiro teve um problema. Ainda faço uma corrida ao fim do dia mas só a partir de Abril... sou alérgico ao Inverno!
Marta manda-o despir da cintura para cima. Manuel pendura a camisa e a gravata. Começa a ter ideias porcas. Ela pede-lhe que respire fundo e ele imagina que ela lhe pede “Manuel não pares, por favor, não pares “. Depois pede-lhe que abra a boca, que feche os olhos e toque na ponta do nariz. Ele nota a ponta dos seus mamilos através da bata. Quando ela se inclinou para o auscultar descobre o soutien preto com renda, As suas mãos estão agora na sua garganta e os gânglios de Manuel adoram o toque.
- Muito bem. Pode vestir-se! Tem problemas de hipertensão na família?
- Que eu saiba não.
- Já foi operado alguma vez?
- Nunca, doutora.
- Muito bem. Quando tiver o resultado dos exames venha mostrar-me. Você tem uma saúde de ferro!
Ele desaperta as calças para poder entroncar a camisa. Nada. Ela nem repara. Limita-se a escrever na sua ficha os valores da tensão e as informações recolhidas.
Apetece-lhe injuriá-la por não o ter violado ali em cima da marquesa. No mínimo devia ter comentado os seus abdominais. Ou então qualquer coisa mais demente do tipo “sabe, Manuel, você tem um pénis com percentil 75 “ ou então “sabe, Manuel, o seu formigueiro passa se fizer sexo oral com mais frequência” ou então “sabe, Manuel, preciso de um voluntário para a minha tese sobre Os Homens Preferem a Canzana “.
O que interessa é a intenção, pensa ele. Até eu ser velhinho muita coisa pode acontecer. Marta há-de passar de Medicina Interna para Geriatria e ainda podemos gozar imenso quando a encontrar num programa de férias para a terceira idade.
- São cinquenta euros – pede-lhe a recepcionista.
Manuel passa um cheque e pede recibo. Espera um pouco enquanto ela atende uma chamada. O estupor da recepcionista é quase tão boa como a médica. È mesmo a assistente ideal para o acompanhar quando ele um dia tiver que fazer um espermograma.
sábado, 3 de novembro de 2007
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Imaginário ao cair da tarde !
Fim de tarde de um qualquer sábado deste preguiçoso Outono.
Os raios de sol que entravam pelas persianas do quarto projectavam numa das paredes, em fila indiana, pequenas sombras em formato de bolas ovais.
Vestiu uma t'shirt amarrotada (dizia "Sou grande na cama...durmo horas a fio! ") e umas calças de ganga já quase sem côr.
Atravessou o jardim.
Ao fundo, no parque infantil, um alarido intenso, parecia um enxame de abelhas.
Entrou pelo parque dentro, observando os filhos dos outros.
Que mães tão boas ! Irmãs ,tias , sobrinhas !
Reparou naquela mãe. Devia ter uns trinta anos, ou pouco mais. As côxas mais redondas e o rabo mais bem feito de todo o planeta. A camisa branca, aberta até ao segundo botão salientou umas belas mamas 38 copa C.
O escorrega maior, mesmo muito grande, não tinha nenhum miudo.
João deslizou nele e deixou-se ficar no seu fim.
Sentiu nas costas o calor do metal do escorrega.
Fechou os olhos.
Pensou no tema do Galdiador.
Respirou fundo.
Ah! O rabo daquela mãe! Doido para romper pelas calças de ganga fora!
E o zurzido das crianças agora não passava duma melodia de fundo.
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
MUSAS, NINFAS, DEUSAS, NINFETAS...

quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Irrita-me !

segunda-feira, 15 de outubro de 2007
PEÇAS EM MARFIM ? NÃO, OBRIGADO !

As organizações não-governamentais WWF e Traffic denunciaram que continua havendo abertamente o comércio internacional ilegal de marfim na África, oito meses depois de vários países africanos anunciarem um plano de ação para acabar com tráfico em nível nacional. O WWF e o Traffic esperam que os membros da Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestre (Cites) adotem um plano que reforce a conservação do elefante africano, tal como decidiram em sua reunião de Bangcoc em outubro de 2004. Os talhadores de marfim africanos recorrem anualmente a entre 4 mil e 12 mil elefantes, em sua maior parte procedentes do comércio ilegal. O WWF lembrou o caso do Egito, um dos países que não têm elefantes mas dispõe de um grande mercado de produtos talhados em marfim. Segundo a Traffic, em 1998 o Egito teve um comércio de presas equivalente a 310 a 875 elefantes. "O governo do Egito progride, mas a responsabilidade da Cites é supervisionar o processo", disse Tom Milliken, diretor do programa Traffic na África. Milliken afirmou que, segundo dados egípcios, 80% do marfim que se trabalha nesse país procede do Sudão. A organização pediu à Cites que inclua o Egito na lista de países a investigar e a suspensão de todo comércio de espécies ameaçadas com destino a Moçambique ou de lá procedente, se esse país africano não tomar medidas para controlar seu mercado de marfim. Em relação à Etiópia, a pesquisa da WWF constatou a redução da atividade e disse que só cinco de 82 lojas controladas tinham 82 produtos em marfim à venda. No ano anterior havia cerca de 3.500 produtos. "A Etiópia merece ser destacada por seus esforços, incluindo o cumprimento da lei nas fronteiras e nos mercados", disse Milliken. Fonte: Estado
ANGOLA – Eixo central do tráfico de marfim
O Café del Mar ostenta a aparência de qualquer outro restaurante caro na Ilha do Cabo (Ilha de Luanda), estância balnear elegante para estrangeiros e angolanos ricos. Tem, no em tanto uma atracção especial: um pequeno mas bem fornecido quiosque de raridades, com filas arrumadas de peças artísticas de marfim, uma lembrança para turistas, actualmente ilegal, mas tradicionalmente muito vendida em África. «É verdade, somos muito populares. Este é o nosso marfim de Angola», afirma o dono da loja.
Apesar de a população de elefantes estar em extinção, Angola emerge como eixo regional no comércio ilegal de marfim. A sua quota no negócio de dentes de marfim duplicou no último ano, segundo um relatório das organizações de defesa da vida selvagem Traffic e WWF Internacional (…)
Este país do Sudoeste africano, rico em petróleo, devastado por quase três décadas de guerra civil, até ao acordo de paz em 2002, foi dado como o país de origem de 53 grandes capturas de marfim em cerca 12 países, entre 1999 e 2003. «Existe um risco real de extinção para os nosso elefantes», diz Vladimir Russo, chefe do grupo ambiental local e um dos maiores especialistas de vida selvagem no país. «O mercado civil do marfim cresceu desde o final da guerra. Há mais trabalhadores chineses com dinheiro para comprar peças de marfim. Mas muitos mais estrangeiros poderão estar a chegar».
Dos 37 países que ainda albergam populações selvagens de elefantes africanos, Angola é o único que não assinou a Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES) (…) em 1981 havia cerca de 12.400 elefantes em Angola (…)
Os rebeldes da UNITA, que combatiam o Governo do MPLA, foram acusados de atacar elefantes e saquear o marfim em longa escala (…) Crê-se que os muitos milhares de dólares assim gerados terão sido usados para comprar armas e mantimentos. DE ACORDO COM A UNIÃO INTERNACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA NATUREZA, ANGOLA NÃO TEM MAIS DO QUE 246 ELEFANTES.
(…) O marfim é vendido às claras no Hotel Trópico, em Luanda que tem um pequeno ponto de venda no primeiro andar, destinado a diplomatas e executivos. É adquirido no Mercado do Artesanato, na vila marítima de Benfica. (…) Os preços variam 35 e 100 dólares (27 a 78 euros) (…) Os traficantes afirmam que a policia não costuma importuná-los.
(…) Este súbito crescimento da venda de marfim pode, a longo prazo, vir a tornar-se negativo para negócio em Angola. À medida que os elefantes vão sendo dizimados, o mesmo acontece com as expectativas de impulsionar as receitas, atraindo turistas interessados em ver elefantes em estado natural.
«Alguns turistas compram marfim, mas sem a nossa vida selvagem como é que podemos desenvolver turismo?». Pergunta Russo. «A longo prazo o problema é como definir as nossas prioridades», conclui.
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REUTERS - Alistair Pole
In: Courrier Internacional Nº 85 - 17 a 23 de Novembro de 2006
terça-feira, 9 de outubro de 2007
A Razão do Poeta
“Compreendi a frase de Hemingway, quando quiseram saber o que é que ele achava da morte e a resposta dele foi: «Outra puta.»
Porque a morte é sempre uma puta e, a uma puta, não se pode dar confiança.”entrevista de António Lobo Antunes
Ainda era eu um puto imberbe e um velho amigo dos meus pais (mais tarde meu padrinho de casamento) perguntava-me sempre que me encontrava:
-Olha lá, o que é que é pior, a puta da vida ou a vida da puta ?
E eu respondia quase sempre:
- É a vida da puta!
Uns anos mais tarde, não muitos, realizei, com algum desencanto diga-se, que afinal a minha resposta não ia ao encontro do pensamento sábio do meu velho amigo.
A sua idade já nessa altura lhe permitia ver as coisas como elas são.
Um grande escritor, para mim o maior contemporâneo, António Lobo Antunes, disse uma vez “ A morte é uma puta “. Com toda a propriedade. E acrescentou “E para combater uma puta só uma puta ainda maior”.
(È chato quando o processador de texto assinala a vermelho a palavra “puta” por tudo e por nada…que raio !)
Eu nunca gostei de escuridão.
De penumbra, sim: comer á luz da vela, dar uma queca a meia-luz, apreciar o intrépido sol de Inverno. Mas escuridão, não mesmo!
Já pensei nisso e estou sempre na dúvida: peço para ser cremado, para ser embalsamado, para ser fumado ou simplesmente para ser enterrado?
Enterrado soa mal, parece que vou ser enrabado por uma série de escaravelhos, bichos-de-conta ou minhocas que nem para isco servem.
Fumado deve ser melhor, tipo meia-cura, mas estar pendurado num sisal virado de cabeça para baixo deve dar umas enxaquecas diabólicas e um tipo pode não ter tempo de levar consigo os Avamigram ou coisa do género.
Embalsamado faz-me lembrar o símbolo do Benfica e além disso penso sempre que posso ir parar a um qualquer pavilhão da expo onde uma qualquer turma de putos do 6º ano vai fazer uma visita de estudo e tirar notas sobre o embalsamento.
Cremado deve ser a solução (“ é mais higiénico” –dizem) mas tenho um bocado de medo que aquilo doa e faz-me lembrar os flambés que aqueles empregados de restaurante mais dotados fazem só para ver se impressionam a empregada do bar.
Eu não sei como vai ser o último momento. Mas há grandes probabilidades que seja com um estúpido dum ataque de asma e logo por azar naquela hora as ambulâncias vão estar todas ocupadas num exercício de simulação.
Se pudesse escolher escolhia uma coisa mais divertida e mesmo intelectual:
enquanto via um filme francês de série B
enquanto via um filme porno, sem legendas e falado em húngaro
enquanto via um filme do Manuel de Oliveira , que nessa altura teria 137 anos
Se repararam, o que eu quero é morrer mas ainda ver. Posso estar mouco, rouco, mas ver e andar…
Algumas personagens da História não puderam morrer bem. Outros preferiram ser enterrados (alguns ainda vivos) ou embalsamados.
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segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Brincar aos Médicos
| - Onde é que tu estavas? - Pergunta a mãe à menininha. - No quarto, a brincar aos médicos com o Joãozinho. Ele era o médico e eu adoente. A mãe dá um grito e um salto da cadeira. - Aos médicos!?! - Médicos da Caixa, mãe. Ele nem me atendeu! |
sábado, 6 de outubro de 2007
O Último Pecado
Cozinha Alentejana
5/10/2007
Almoço
Perdiz Frita c/Migas e Salada
Vinho da Casa
Doce da Casa
P.s- aconselho também o Bacalhau á Brazão, a Lebre e a Massa de Peixe; as empregadas são deliciosamente alentejanas

quinta-feira, 4 de outubro de 2007
As Mulheres-Parte II
Margarida deve estar na casa dos quarenta anos e ele bem sabe que ela tem três filhos. È sempre entre as 19 e as 19,30 que ela chega na sua break, alinha na direcção da garagem, trava, faz uma pausa, olha discretamente para dentro do café sacudindo o cabelo com tons grisalhos – que ele sabe que são naturais – retira da gaveta junto ao isqueiro do carro o comando da porta automática e entra neste bloco de cimento.
O prédio é quase todo ocupado por jovens casais, quadros médios e superiores, advogados ajudantes de advogados famosos e, na maior parte, médicos à procura de experiência – e dinheiro – fazendo uma espécie de recruta militar nos penosos bancos nocturnos dos hospitais públicos.
O olhar de Margarida é quase sempre melancólico, de quem perdeu o doce paladar da vida, que a fez amadurecer sentada ao balcão de uma dependência bancária dos subúrbios de Lisboa.
Manuel S., jovem gestor numa multinacional, solteiro – ainda vive com os pais –, 28 anos, saudável, boa vida, já cruzou aquele olhar. Já cruzou o zig-zag dos seus quadris, altivos, nas calças de ganga que usa ao fim de semana e que premeiam o seu belo traseiro ainda firme.
Quando a vê é inundado por uma polução mental. Um imaginário prenhe de luxúria que ruma sempre na direcção de mulheres mais maduras, desde executivas a donas de casa, secretárias de qualquer tipo de empresa, eu sei lá! Agora mesmo, enquanto toma café antes de retomar a noitada na empresa, recorda aquela beldade que recebe os trabalhos de tipografia que a empresa manda executar. Aquele olhar turvo de meias palavras, amordaçado, como o belo par de mamas que tem, gritando por alívio entre os enchumaços dos decotes dos vestidos ultrapassados.
Ou mesmo aquela trintona, comercial duma pequena empresa de reciclagem e que reuniu consigo para acordar a recolha dos tinteiros da sua secção. Ama o ambiente e o ecológico mas Manuel só a imagina completamente porca na cama, capaz de conspurcar o corpo por tudo e por nada.
Margarida costuma usar o cabelo apanhado e os brincos são sempre argolas largas. Manuel ainda se masturba quando pensa nela.
Durante muito tempo só a via vestida com o mesmo sobretudo escuro, a meia perna, e uma saia rodada também escura. Chegou a pensar que usava aquela roupa larga para porventura reprimir algum arredondamento desmesurado do seu corpo. Pura ficção.
Em meados de Maio, Manuel voltou a cruzar o olhar com ela. Margarida fazia várias tentativas para abrir a porta de entrada do prédio. O material de segunda também tem as suas vantagens.
- Deixe-me tentar – disse ele.
- Não há paciência para esta porta.
- Depois de marcar o código a pancada tem que ser forte e sêca – replicou.
Sorriu para ele quando a porta se abriu. Os sacos de compras eram muitos e pesados. Manuel prontificou-se a coloca-los no elevador. Naquele dia, as fúteis saias compridas foram substituídas por calças brancas com pequenos motivos vermelhos. Foi possuído por um primitivo arremesso de a apertar contra o espelho do elevador e morder-lhe o pescoço. Trincar-lhe os macios lóbulos das orelhas perfeitas.
Esse fetiche do pescoço é algo que o tortura. Nesse dia vinha sem os miúdos. O peso de um dos sacos fê-la morder um dos lábios. São carnudos, bem desenhados e com um tom que o fez lembrar o vinho do Porto. Manuel detesta vinho do Porto, seja tawny ou vintage. Simplesmente detesta.
Passam-se dias, semanas, em que não se lembra dela, simplesmente não a vê. Outras ocupam aquele espaço, a qualquer hora, nos locais mais insuspeitos, durante a condução, nas reuniões de trabalho.
“Eu sou primitivo, tenho que ir ao psiquiatra, devo ter um desvio, isto não é normal! ”, pensa muitas vezes.
A tarde de Inverno vai caindo, bela, o céu ali pelos lados das praias da linha de Cascais é azul suave, transparente como o frio, e o sol, ténue como a sua vontade de regressar ao escritório, é agora um ligeiro traço no horizonte. Parou por ali o carro e desfrutou. Estava cansado daquela vida descansada. Ele precisa de se surpreender a si mesmo, de vencer as ilusões.
Manuel está decidido. No dia seguinte vai chicotear a prosaica monotonia que tem invadido a sua vida, tristonha e choramingas. Não fossem uns copos com os amigos da margem sul e seria o fim, o embasbacamento.
Faltam dez minutos para a uma hora da tarde quando estaciona na avenida, junto à loja chinesa. Entra no Banco, quase deserto e ausente de burburinho. É o Banco onde trabalha Margarida. Só resta o estagiário do Caixa, a quem pergunta com quem falar para um crédito à habitação, e ela. Ela está lá de certeza, ele consegue pressentir o estalido compassado das suas botas e o swing do seu cabelo para lá duma porta de vidro fosco, colocada antes duma série de biombos. Margarida já regressou da sua hora de almoço e os outros colegas entretanto saíram. Só restam eles e o zeloso estagiário do caixa que entretanto se prepara para abrir conta a um trolha estrangeiro.
Depois de passarem o labirinto de biombos, Margarida ordena-lhe que se sente. Não sabe por onde começar e nota que ela sabe precisamente isso.
- Dá para me fazer uma simulação? - pergunta, tentando colocar a voz.
- Claro. Estamos cá para isso.
Depois de alguns pormenores técnicos roda a cadeira e puxa uma folha que sai ainda quente da impressora laser.
È agora que tudo se precipita. Estão frente a frente e Manuel diz-lhe que não consegue ler técnicamente o documento, aquela maçada dos spreads e dos valores residuais.
Margarida coloca a sua cadeira junto à dele. Agora, lado a lado, ele consegue mergulhar no aroma do seu perfume. Ela vai lendo o documento, linha após linha. Pelo facto de se cumprimentarem no café ela sente uma estranha familiaridade na apresentação dos factos.
- Eu também precisava de mudar de casa... e de vida! – conclui ela .
- Porquê?... Desculpe... não me diz respeito. Parece-me que você tem uma família espectacular – diz-lhe .
Os seus joelhos tocam-se. Manuel fica em estado de choque, com uma ponta de tesão.
- Às vezes as aparências enganam!
Manuel dá-lhe um toque na mão, como que a dizer ”ora, a vida tem altos e baixos”. Margarida não se intimida e aceita a ternura de Manuel inclinando ainda mais o seu tronco. Agora ele sente a sua respiração e regista o rubor intenso nos seus lábios. Ela não encontra lógica na sua conduta mas deixa-se levar por esta luxuriante irracionalidade. Sente-se incomodada. Não tem posição para colocar as mãos. Sem querer, uma das mãos acaba por tocar os adutores do jovem, depois tenta retira-la mas Manuel não o permite. Ela agora sente-o. Forte e altruísta. Lembra-se dos tempos dos namoricos ao som das músicas slow. Faz um ligeiro movimento com a ponta dos dedos.
- Isto é uma loucura- diz, ofegante.
- Vê-se que precisa de carinho... é uma mulher super carente- garante ele.
A mão esquerda de Manuel vagueia pelas suas coxas e encontra finalmente a parte mais fina das suas cuecas. Percorre um pouco mais do seu púbis, trespassa os fortes e sedosos pêlos até penetrar nela dois dedos.
Com a mão direita, desastrada, vai desapertando os botões das calças. Pede ajuda a Margarida que o liberta com suavidade. Acaricia-lhe a glande enquanto Manuel trabalha na sua vagina muito lubrificada.
Ela baixa-se e roça um pouco dos seus lábios no seu pénis. Manuel solta um gemido. O caixa desvia o olhar na direcção dos biombos enquanto o trolha aproveita para assinar alguma papelada.
As cuecas de Margarida estão presas nas botas e Manuel está refém da sua boca que vai engolindo o seu mastro em movimentos pendulares. Por vezes ela solta um grito de dor conforme o ímpeto dele agride as suas entranhas com mais vigor.
O ritual perdura até Manuel sentir que está no limite. No chão, coloca-se por detrás dela. Explora com as mãos o seu rabo. È belo. Penetra-a com duas estocadas antes de se vir. O seu grito é intenso e arrogante. Não se recorda de mais nada e por isso levanta-se de imediato. O caixa também se levanta. Bate com uma série de folhas na secretária.
- Não acredito numa simulação destas! Vocês não sabem trabalhar!
O lapso de tempo serve para se ajeitar. Dá um beijo a Margarida, um beijo de puto apaixonado. Atravessa o balcão a passo lento, triunfante.
- Vocês assim não vão longe, diz para o caixa.
Margarida rompe dos biombos e encolhe os ombros.- Já viu o que temos que aturar?! Prepare-se... isto não é nada fácil.





