CUIDE-SE... ESTE BLOGUE TEM BOLINHA VERMELHA EM TODA A SUA EXTENSÃO ...

Substância Activa: Imaginário
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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Interrupção de Serviço

Caros Leitores (onde é que eles andam?)

eu sei que escrevo este blogue para meia duzia de penetras que, quando não têm rigorosamente mais nada que fazer, vêm aqui para se deleitarem nas minhas obsessões! Eu sei, escusam de disfarçar.

Contudo, porém, como dizia alguém, o autor e "dono" deste blogue vai ausentar-se por uns tempos.

É que os tempos são dificies para os lados do Restelo e pediram a minha colaboração no blogue Belém Livre.

O regresso será breve e poderoso !

Beijos e abraços.

JM

sábado, 10 de novembro de 2007

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

A Médica (de Familia)

A Médica (de família)


Manuel S. é sazonalmente hipocondríaco. Persegue a tese de que é alérgico ao tempo frio e que este desencadeia reacções atípicas na sua personalidade e até na sua postura.
Muda qualquer canal de TV que conte uma história com doenças, não lê os suplementos de saúde dos jornais, rasga qualquer folheto de farmácia que lhe coloquem na caixa de correio e só faz exames médicos por obrigação profissional.
Nunca foi nem será operado mesmo que tenha que sangrar como um porco com dia marcado. Recorda com grande nojo aquele filme que viu quando tinha os seus catorze anos onde a peste negra dizima uma aldeia de campónios. A peste negra já foi dada como extinta mas detesta ver manchas na pele mesmo que sejam de simples queimaduras solares. Por isso tem reservado um gavetão só para cremes e protectores.
Quando entrou para esta empresa, ainda como estagiário, Manuel teve que fazer os habituais exames médicos. Nesse dia as pernas tremiam e a voz engasgava. Às 10 horas já estava sentado numa velha sala, onde o estuque vai caindo lentamente, cheia de revistas e plantas artificiais. Estava apavorado, com as pernas cruzadas e as mãos encaixadas e banhadas de suor. Que raio, pensou, então aqueles tipos não viram logo que sou gajo saudável.
Senta-se precisamente na mesma cadeira depois das análises ao sangue e urina. Faltam as outras. Lá fora está cada vez mais encoberto e há prenúncio de chuvada forte lá mais para o fim da tarde.
Eis então que ela surge. Ela é com certeza médica, deve ter pouco mais que quarenta anos, o cabelo é muito preto, bem tratado e pelos ombros.
Acima dos gigantescos olhos verdes, usa os óculos da conhecida marca dourada como travessão. A bata é curta e muito justa na cintura afagando o esplendoroso e inquietante traseiro. Por baixo da bata usa uma fina camisola de meia gola, beije, e uma saia preta. Os dedos são belos e salpicados por várias peças de ouro. O seu olhar é adulto mas transparente. Manuel S. tenta, em vão, decifrar o nome no crachat.
Ela é menina de berço, casada com um advogado de sucesso, os pais andam de Jaguar e os filhos usam aquelas fardas idiotas dos colégios com nome de São qualquer coisa. Em casa tem uma rapariga de aldeia que usa bata e socas ortopédicas que para além de tratar da casa também atura as birras dos putos e dos avós. Talvez não, pensa ele, talvez não passe de uma mulher normal que valoriza a imagem, o marido também é médico, mas num centro de saúde dos arredores, os pais fizeram um esforço imenso para ela tirar o curso e só andam de transportes públicos. Não tem filhos por opção, porque a profissão é para ela a coisa mais importante e além disso só fode uma vez por semana porque chega cansada do banco do hospital.
Com o raio-x e o electrocardiograma avança então para a consulta. Para azar seu é visto por um barbudo com ar distante.
- Está tudo bem! Há aqui umas oscilações no seu electrocardiograma mas são pequenas arritmias sem importância.
- Antes isso. Quando vou ao médico tenho sempre arritmias... mas o dentista é pior! – exclama .
Já de saída, decide perguntar o nome da tal médica. Marca uma consulta para a próxima semana e decide vai passar a ser a sua médica, a sua médica de família. Depois logo vê que doença arranja para pretexto e validade da sua arrojada aleivosia.
Manuel tem que arquitectar uma maleita que a obrigue a obrigá-lo a despir da cabeça aos pés. Nesse dia ele vai querer estar subjugável. Vai estar prostrado, com uma sensação de mal-estar geral, um formigueiro intenso da ponta dos pés á raiz dos cabelos. E tem falta de apetite, excepto o sexual.
- Já está marcada senhor doutor, fica para a próxima quinta-feira ás dezanove horas – confirma a recepcionista.
- A doutora Marta tem acordo com algum seguro de saúde?
- Só com o Exército e a Policia.
Manuel imaginou-se magala, a queixar-se de uma dor nas costas por causa do peso da malvada mochila de campanha. A bela da Drª Marta manda-o despir e deitar-se na marquesa de barriga para baixo. Aplica-lhe uma massagem que dura toda a manhã, enquanto uma fila de cabos, sargentos e majores desespera na sala. Quando se ergue a marquesa tem um enorme buraco, esventrado pelo tesão imensa que aquela rendilhada massagem lhe provoca.
Enquanto atravessa o pequeno parque de estacionamento começam a cair os primeiros pingos de chuva. Detesta esta chuva envergonhada. Detesta tudo o que é envergonhado, exíguo, ínfimo e cobarde. Mas não gosta de centros comerciais e não se vê a fazer compras num mercado municipal. Lembra-se sempre daqueles cães minorcas, sem pêlo e com orelhas de Mr.Spock. Um cão tem que ser um cão, um bicho grande, que imponha respeito, um predador de carne que rejeite os bolinhos de fábrica ensacados para serem vendidos nos supermercados. Isso é mariquice para os gatos. Manuel preferia uma ninhada de morcegos na cave que um gato a roçar-se em areia no hall de entrada.
È chegado o grande dia. Enquanto está na empresa vai consultando o relógio e pensando nas várias patologias. Chega meia dúzia de minutos atrasado porque o trânsito para Lisboa está uma merda.
Manuel entra para a consulta, pede desculpa pelo atraso, estica-lhe a mão e senta-se em frente dela na cadeira da esquerda. O gabinete tem uma serigrafia meio abstracta que representa uma mulher grávida, uma pequena planta natural que já deu flor e uma ampulheta de madeira que ela usa como pisa papeis. Ela está tão boa como da primeira vez que a viu. Ele levou consigo o último electrocardiograma e diz-lhe que tem sentido umas palpitações, coisa de empregada doméstica, e ás vezes um certo formigueiro na planta dos pés.
- Fuma? – pergunta-lhe ela .
- Um cigarro num dia de festa...
- Sabe, esse formigueiro... faz desporto?
- Jogava ténis três vezes por semana mas o meu parceiro teve um problema. Ainda faço uma corrida ao fim do dia mas só a partir de Abril... sou alérgico ao Inverno!
Marta manda-o despir da cintura para cima. Manuel pendura a camisa e a gravata. Começa a ter ideias porcas. Ela pede-lhe que respire fundo e ele imagina que ela lhe pede “Manuel não pares, por favor, não pares “. Depois pede-lhe que abra a boca, que feche os olhos e toque na ponta do nariz. Ele nota a ponta dos seus mamilos através da bata. Quando ela se inclinou para o auscultar descobre o soutien preto com renda, As suas mãos estão agora na sua garganta e os gânglios de Manuel adoram o toque.
- Muito bem. Pode vestir-se! Tem problemas de hipertensão na família?
- Que eu saiba não.
- Já foi operado alguma vez?
- Nunca, doutora.
- Muito bem. Quando tiver o resultado dos exames venha mostrar-me. Você tem uma saúde de ferro!
Ele desaperta as calças para poder entroncar a camisa. Nada. Ela nem repara. Limita-se a escrever na sua ficha os valores da tensão e as informações recolhidas.
Apetece-lhe injuriá-la por não o ter violado ali em cima da marquesa. No mínimo devia ter comentado os seus abdominais. Ou então qualquer coisa mais demente do tipo “sabe, Manuel, você tem um pénis com percentil 75 “ ou então “sabe, Manuel, o seu formigueiro passa se fizer sexo oral com mais frequência” ou então “sabe, Manuel, preciso de um voluntário para a minha tese sobre Os Homens Preferem a Canzana “.
O que interessa é a intenção, pensa ele. Até eu ser velhinho muita coisa pode acontecer. Marta há-de passar de Medicina Interna para Geriatria e ainda podemos gozar imenso quando a encontrar num programa de férias para a terceira idade.
- São cinquenta euros – pede-lhe a recepcionista.
Manuel passa um cheque e pede recibo. Espera um pouco enquanto ela atende uma chamada. O estupor da recepcionista é quase tão boa como a médica. È mesmo a assistente ideal para o acompanhar quando ele um dia tiver que fazer um espermograma.

sábado, 3 de novembro de 2007

Mesmo Roubados !




Não fosse um idiota do interior alentejano... !


GRANDE BELÉM !


FC PORTO -1 C.F."OS BELENENSES"-1 (ZÉ PEDRO)